Trabalhar, estudar e enrolar. Desenhar ler e calcular. Dormir, comer e projetar. Banhos não são mais prazerosos. Ir a Universidade não é mais um alívio. A minha casa não é mais acolhedora. Ler não é mais uma opção. A comida virou tóxica. O espelho é tão cruel, eu não consigo encará-lo. Eu vou cada vez mais ficando doente, quase um vegetal. Meu cérebro está em atividade baixa, trabalhando em modo de racionamento. Meu ânimo abandonou a minha alma a tanto tempo que não me sinto mais com esperanças.
Demorou tanto para escrever como me sinto pois faltou vontade para isso também. Sinto minha vida desmoronando, minhas oportunidades se esvaindo como água entre os dedos. Eu só quero sumir. Nem o meu caráter e personalidade se salvam. O remorso e decepção estão me consumindo. Porque as pessoas me decepcionam tanto? E por que eu ainda finjo que não? Por que ainda finjo que está tudo bem quando não está nada bem. Como se eu estivesse presa, não consigo achar a porta, o meu cárcere é escuro e inebriante. A minha timidez é quase uma droga, agora tão ilícita, tão errada. Estou com tanta vergonha!
Eu não consigo chegar até a porta, mas meus olhos já se acostumaram com a escuridão. Eu posso levantar e tatear com as mãos as paredes ásperas. Estou com fome, meu corpo dói muito. Estou sedenta por luz. Não quero levantar porque dói muito, meu coração está tão machucado, tão prejudicado. Tenho medo da luz, do que há atrás da porta. Talvez a porta esteja destrancada. Sou só eu não querendo levantar, meu medo que me paralisa. Há tanto tempo presa que a mudança me assusta. Talvez eu tenha que ser sempre desse jeito.
Respirar, comer, dormir. é tudo tão mecânico, tão rígido. Eles me disseram que eu não podia sair e eu acreditei. Então nunca tentei abrir a porta. A droga me deixa fraca, mas também é um alívio. Por um tempo...
Mal consigo me lembrar dos dias em que fui livre. Quero me lembrar mas não consigo. A sensação, o sentimento o gosto, o cheiro. Simplesmente não consigo. Não há ninguém para me lembrar.a minha mente só ecoa os gritos da minha alma, desesperada. COVARDE! COVARDE! ME DEIXE SAIR!! AQUI É APENAS UM LUGAR PARA MORRER.
"I have walked about a million miles,
Step by step into the haze.
To notice it, it took a while
That circles where the ways I made.
Is it far too late?
Changing my own fate."
Speed of Light, Stefan Sebastin Schimidt.