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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mesmice

        
          Acho que finalmente entendi algumas coisas sobre mim, sobre a minha vida. Patética eu já sabia que eu era, porém, eu percebi o porque. Algumas conclusões a mais foram tiradas:

1º.       Me senti inferior a todos e a tudo minha vida inteira e ao mesmo tempo me senti melhor do que todos. Já falei aqui que é a contradição do tímido. 
2º.       Fazendo um balanço geral da minha pobre vida percebi que eu só me espelhava nos "outros". Não tenho nada que eu possa chamar de meu. Comecei a desenhar porque a minha falecida prima fazia uma arte linda, inspirada em moda. Ela sim seria uma boa estilista, sonho que tomei por meu.
3º.       Minha primeira paixão, Wagner(Vagno Santana Ribeiro), foi intensa e a única verdadeira. Eu poderia ter aprendido tanto como ele e ele comigo! Tenho certeza disso agora. Posso estar exagerando, mas para ser sincera sinto que não estou. 
4º        Sempre quando falei que estava anestesiada, entorpecida, que parei no tempo aos 13 anos de idade, eu queria dizer que nunca mais fui eu mesma. Não me lembro da época do ensino médio pois não quero lembrar. Eu fui um fantasma. Não fiz nada que eu realmente quis, fui apenas um animal assustado.
5 º.      Sinto inveja de pessoas que são o que são, naturais. Isso não quer dizer feliz, sim apenas si. Transparente ao invés de espelho. Isabele Ribeiro é uma dessas pessoas. Um exemplo a ser seguido. Ela tem a vida que eu sempre quis e poderia ter tido. Sete anos de namoro, eu teria 8. Bailarina e blogueira de moda (E sim, apesar de copiar o talento de alguém, eu gosto mesmo de moda).
6º        Sinto falta dos sentimentos verdadeiros, puros, selvagens. Das conversas simples, da grosseria, do mar. Saudades da paisagem, da atenção, do corpo, das sardas, da boca rosada, da pele branquinha. Do cheiro, dos dentes descuidados, do desleixo inerente (não depressivo), da risada tola. Falta o movimento, as cores ou o incolor, a diversão, o hedonismo. A surpresa, o ódio da rotina. O meu diário. A imaginação, os roteiro e o final feliz.

         Será que eu já tive tudo isso algum dia? Uma vez se quer já senti? Eu já não me lembro e a sensação de nostalgia já se foi a muito tempo. Será que um dia vou sair dessa mesmice ultrajante, do pecado de viver na sua mente, nos seus sonhos? 2011 chegou e eu nem percebi, cansei de fazer planos e ter esperança.
         Aqui apenas é um diário, talvez a única coisa realmente minha, mas ninguém algum dia vai reconhecer. Então continuarei na mesmice esse anos, apenas sobrevivendo e me afastando ao máximo da Beatriz.